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Em breve + entrevistas (atualizadas)

 

Entrevista a Ervas Daninhas (15 Mar 2003) voltar para menu

1 - Quantos e o que fazem os elementos da Banda?
Gil (G) - Desde Setembro de 2002, somos 3 elementos. Eu, Gil, na voz e viola, o João no Baixo e o Paulo na Bateria. Desde que surgimos em 2001 até Abril de 2002 éramos 4, mas com a saída de Miguel (Viola solo) e com o Falecimento de Tiago (Bateria), optamos por ficar um trio. O Paulo entrou para a bateria em Setembro 2002.

2 - Qual a vossa Discografia?
G - Actualmente temos 2 demos. A Primeira gravada em Abril 2001, com 6 temas, de nome "Barulho e Confusão". Em Março de 2002, surge a segunda demo, com 8 temas, de nome "Muito Barulho e Muita Confusão". Em Março de 2003, surge o CD colectânea de Bandas Punk/Hc do Brasil, da Editora Inconformados Discos, onde os Ervas entram com um tema. No próximo dia 21 de Março 2003, vamos gravar a terceira demo, desta vez gravada ao vivo, no 1º Festival Punk de Pinhal Novo, que incluirá temas antigos e temas novos. Estamos a estudar a hipótese de gravar para o final do ano, um Ep vinil, com outra Banda Punk Portuguesa, muito conhecida.

3 - A Preparação e a realização dos registos da vossa discografia foi muito difícil?
G - Não. Até foi relativamente fácil, pois como as músicas são fáceis de tocar, não houve grandes problemas, a não ser pequeninas coisas. J - Não

4 - Como definem o vosso Som?
G - Punk Rock Português, com influências Regionais. Paulo (P) - Punk Rural João (J) - Agro Punk

5 - Quais as vossas influências?
G - Apesar das nossas influências, não quer dizer que as sigamos nas nossas Músicas. Tentamos dar o nosso "Cunho" pessoal. Ramones, Misfits, Discharge, Varukers, Mata Ratos, Censurados, etc, etc. P - Murtalha, Metallica, Iron Maiden, Venom, etc, etc, J - Exploited, GBH, Peste e Sida, etc, etc

6 - A divulgação foi complicada ou arranjaram meios alternativos de divulgação?
G - Divulgar uma demo é sempre difícil, pois por muitos meios que tenhas à disposição, se o sonoro não agradar aos ouvintes, torna-se complicado. Apesar de compor as musicas ao nosso gosto, gostamos de saber se agradamos a alguém ou não. A criação do e-zine "Ervas Daninhas" via e-mail, para uma extensa mailling list de fãs e simpatizantes de Punk Rock, foi meio caminho andado para a divulgação da Banda a nível Nacional e a nível Internacional. Depois foi a divulgação das demos e entrevistas nas fanzines, e-zines, e nas Rádios Regionais. A Distribuição de demos através das pequenas Distros Nacionais e estrangeiras, e algumas lojas Nacionais, também tem ajudado na divulgação. Mas, acho que o maior meio de divulgação da nossa música são os Concertos. Esses, com muita é que nos dão a consciência de que se a divulgação tem funcionado ou não e se o público gosta ou não do que tocamos. Mas, ainda há muito por fazer a nível de promoção do nosso trabalho. Vai aos poucos....Estamos ainda a lançar as sementes das Ervas Daninhas...

7 - Na divulgação, qual é o papel que vocês atribuem ás fanzines?
G - As fanzines são de extrema importância para a divulgação de Bandas, Ideias e Concertos, pois os jornais e revistas do ercado não fazem a cobertura desta facção cultural/ideológica. Infelizmente há muito poucas em Portugal. As pessoas queixam-se que há poucas, mas alguma que aparece, também quase ninguém se interessa por elas. Com o surgimento da internet, apareceram muitas e-zines, mas algumas delas, pouco conteúdo ideológico têm. Apenas baseiam-se na música e o Punk Rock não é só música. Mas, é melhor que nada. Pessoal, se tiverem ideias, façam fanzines em Papel, pois ainda á muita gente sem internet e outros adoram ler fanzines... Façam algo pelo movimento, algo pela humanidade!

8 - São duas atitudes diferentes de estar em palco e outra de estar em estúdio?
G - Sim. Em estúdio estamos concentrados em pormenores, a debater ideias. Parece que tocamos para nós, tal como nos ensaios. Em Palco, mostramos quem são os verdadeiros Ervas Daninhas. A adrenalina sobe e a festa começa. Para mim, os Ervas são uma banda de palco. P - É claro. Em palco nós temos a oportunidade de mostrar quem somos, além de podermos transmitir energia e recebê-la, ou seja, podemos curtir com o pessoal.

9 - Qual é a atitude Punk?
G - A atitude Punk hoje em dia é um pouco diferente da atitude dos anos 70 e inícios de 80. O espirito é que é o mesmo. Para mim, a atitude Punk, é seres um rebelde (minar o sistema por dentro), seres tu próprio e teres as tuas próprias ideias e não te deixares dominar por ideias exteriores que vão de encontro á degradação da humanidade e do planeta. P - Para mim a atitude é só uma: Dizer as verdades....

10 - A vossa música tem um carácter interventivo?
G - Sim. Os Ervas são uma banda de intervenção. As nossas poesias retratam um pouco a sociedade em que vivemos. contamos histórias, muitas vezes de forma irónica e com sentido conotativo. Colocamos sempre a tónica nas "feridas" da sociedade e do Planeta em si. Outras vezes, contamos histórias de coisas boas que se passaram connosco. Também apelamos á moderação, á união entre as tribos urbanas, pois só assim poderemos mudar de facto, algo.

11 - Existe em Portugal, espaço para Bandas Punk?
G - Existe e a prova disso é que todos os fins de semana há concertos Punk/Hc em Portugal. E alguns desses concertos, são com bandas estrangeiras. Também a nível discográfico, tem saído regularmente nos últimos anos, bons discos de Bandas Portuguesas e Estrangeiras. O Problema que existe, é que não são Editoras ou promotoras que organizam esses concertos. São as próprias Bandas que organizam os seus concertos, que editam os seus discos. Há pouca aposta no Punk/Hc por parte das grandes Editoras/Promotoras, mas por um lado até é bom, pois só iria estragar a cena, pois estariam mais preocupados com questões monetárias do que propriamente em fazer algo pelo movimento. As Bandas, Editoras Alternativas e Distros têm sabido fazer as coisas pelo método mais fácil D.I.Y.... Espaço? Os Punk's são mal vistos pela sociedade, mas tem o seu espaço! P - Existe e tem de existir. Há 20 anos que vejo Punks em Portugal e só espero que cada vez haja mais.

12 - Quanto a concertos. Existe uma rede de locais onde possam dar concertos?
G - Não propriamente. Existem vários locais isolados onde se pode tocar. Outras vezes, inventam-se locais, falando com pessoas de colectividades e organizando os próprios concertos. Há bares onde não aceitam bandas punk para tocar. Há outros festivais onde não aceitam bandas Punk para tocar. Por isso, nada melhor que organizar os próprios concertos.

13 - Não existindo, como é que as bandas divulgam as suas músicas?
G - Se as bandas não se mexeram, não tocam. Ficam toda a vida na garagem ou no estúdio de ensaios. Há sempre locais para tocar! Procurem pessoal. Falem com as pessoas...

14 - A língua em que cantam é um factor de importância ou está relacionado unicamente com a necessidade de chegar a um mercado?
G - Para mim, a língua tem importância. Estamos em Portugal, somos Portugueses, falamos português, logo cantamos em Português. Não vamos em Inglesismos ou Americanismos, nem fazer letras em Inglês é mais fácil que em Português. As pessoas têm de compreender que qualquer dia não temos identidade. Estamos a ser sugados por culturas exteriores e aos poucos até a língua iremos perder. Também acho que é mais fácil as pessoas compreenderem uma música cantada em Português do que em Inglês. Nunca ouvi um Inglês ou um Americano cantar em Português. Até os Espanhóis cantam quase sempre em Espanhol. P - Sem dúvida que é importante, para que as nossas mensagens sejam compreendidas.

15 - O Vosso objectivo é ficarem unicamente pelo mercado Português ou chegarem aos mercados Estrangeiros?
G - O Nosso principal objectivo é tocar a música que mais gostamos. Depois vamos devagarinho, tentando conquistar terreno em Território Nacional, ou seja, fãs da Banda. Ao mesmo tempo, vamos lançando sementes no exterior. Se um dia surgir oportunidade de tocar no estrangeiro será muito bom, mas primeiro queremos preparar terreno. Aí, iremos divulgar a nossa música, a nossa cultura, a nossa língua e todos saberão que somos uma Banda Portuguesa. P - Falar em termos internacionais é difícil, mas nunca se sabe.

16 - Para finalizar, quais são no geral os vossos objectivos?
G - Continuar a tocar, a dar concertos e espalhar a mensagem dos Ervas, de que um mundo melhor é Possível. Se a Banda continuar, e espero que sim, daqui a uns tempos editar um Cd logo de vê. Obrigado pela entrevista. P - O que der, deu, mas quanto mais melhor. Obrigado pela entrevista. J - Obrigado pela entrevista G / P / J - Ervas Daninhas ohehoh, Ervas Daninhas ohehoh!! G/P/J - Abraço a todos os leitores. Contactem-nos para concertos, entrevistas, debates, casamentos, baptizados. punkngil@netvisao.pt www.ervasdaninhas.cjb.net http://ervasdaninhaszine.com.sapo.pt


Entrevista com Nappi - R i i s t e t y t voltar para menu

(retirado de: http://www.terrotten.com/interviews/inter_riistetytport.html)


Renan]: Fale um pouco sobre o início, com o Cadgers e com o Riistetyt. A primeira formação e quando você entrou para o Riistetyt.

[Nappi]: Cadgers foi formado em 1978 ou 1979(no inverno, provavelmente) e eles fizeram um split com o Kaaos.A formação era Lateri - voz ,Perry - Gitarra, Piise - Baixo e Stydy(bateria). Na primavera de 1982, Perry deixou o Cadgers, e formou uma banda chamada Järjetyshäiriö(eles fizeram uma ótima demo, com o Kake do Kaaos nos vocais). No lugar de Perry, entrou o Raipe, e então a banda mudou o nome para Riistetyt. Após o primeiro lp,'Laki ja Järjestys', Piise saiu da banda, e o Perry voltou.
Eu entrei para a banda no verão de 1983, após eu sair do Kaaos. Na mesma época, Jaska, o batersta do Kaaos entrou no Riistetyt, porque o Piise e o Stydy não queriam tocar mas em nenhuma banda. Nós fizemos em seguida, o EP 'Tuomiopäivä', e então o Pery entrou para o Exército. No lugar dele, entrou o Rike, do Bastards para tocar guitarra. Na primavera seguinte, em 1984, logo depois do lançamento dos discos 'Raiskattu Tulevaisuus' e 'Nightmares in The Darkness', eu tive sérios desentendimentos com Rike, então achei melhor sair da banda. Após isso, veio o Kuollent Kukat, minha banda que formei ao sair do Riistetyt, foram outros tempos...

[Renan]: Como era a vida política e cultural de um jovem naqueles tempos?
[Nappi]: Finlândia era um pequeno país, vizinho da grande União Soviética. Finlândia nunca foi um país socialista, mas a USSR foi uma grande sombra sobre nós.Essa sombra e essa mentaidade estreita na opinião geral, foi o grande motivo pela qual a cena punk se tornou tão forte. A polícia era muito agressiva nesses dias. A organização dos show e de outras comemorações eram muito dificeis de realizar. Nos anos 80, tivemos apenas 2 ou 3 shows por ano, mas elas eram mutio grande. Vinham gente do país todo para esses acontecimentos.

[Renan]: Quais são suas velhas e novas influências?
[Nappi]: Eu não posso especificar nunhuma influência particular no dias de hoje. No final dos 70, foram MC'5, New York Dolls, Pistols, etc. Depois, vieram Crass, Discharge, Disorded, Amebix, etc.Todas foram bandas que causaram um efeito tão grande em mim, que me tornou o que eu sou. Desde esses temos, a proporção de bandas aumentou muito. Por causa disso, eu não menciono nenhuma outra banda, mas talvez Tragedy e Counterblast.
etc…)

[Renan]: O que as letras expressavam nos anos 80, e o que elas expressam nos dias de hoje? QUal é a discografia completa?
[Nappi]: Eu sinto que, as letras e seus temas não mudaram muito em todo esse tempo. É claro, que o mundo tem mudado e por causa disto, os motivos das letras ganharam novas direções. Tambem a nossa idade certamente deu mais intensidade para as palavras.

Discografia:
7 " - Laki ja Järjestys (P.Tuotanto, PTEP 03) 1982
LP - Valtion Vankina (Propaganda Records, PRO 006) 1983
LP - As Prisoner of State (Rock-O-Rama Records -GER, RRR 27) 1983
MLP - Skitsofrenia (Propaganda Records, PRO 018) 1983
LP - Nightmares in Darkness (Rock-O-Rama Records -GER, RRR 34) 1984
LP - Raiskattu Tulevaisuus - Raped Future (Rock-O-Rama Records -GER, RRR 44) 1984
7" - Tuomiopäivä (Kill City Sound, KILL 02) 1991
CD - Riistetyt (Kråklund Records, KRÅKCD 32) 1996
CD - Proloaded Millennium (Propaganda Records, PRO 2003) 1999
7" - Tervetuloa Kuolema (Fight Records, FIGHT 030) 2000
LP/CD - Kuka Valehtelee? (out in 2001)
+ Algumas músicas em várias coletâneas

[Renan]: Por que você decidiu ser um punk, e voltar com a banda depois de anos parado?
[Nappi]: Eu não sei por que eu decidi ser um punk. ISto aconteceu quando eu tinha 12, 13 anos. Uma razão foi o fato de eu nunca ter ficado distante da cena. Eu formei o Kuollet Kekat logo após eu ter saido do Riistetyt em 1984, e ela durou até 1995. O Positive Negative começou em 1996 e tocamos até 1999. E então recomeçamos o Riistetyt. Durante isso, eu estive em vário projetos menores.


[Renan]: O que mudou nas sua idéias sobre a sua vida, comparando com o início da banda e se isto infleuncia a musica nos dias de hoje? O Cd'Proloaded Millenium' é muito diferente do 'Tuomiopäiva' ep, por exemplo...
[Nappi]: Nós devemos lembrar que o 'Tuomiopävia' foi gravado antes do 'Proloaded Millenium', este com o Rike. Perry tocou no 'Tuomiopäiva' ep. Você pode ouvir isto. No início da banda, o mundo e sua perversidade eram a realidade, mas de alguma forma distante. Nos dias de hoje, todas as merdas acontecem no dia-a-dia. No início dos anos 80, nós eramos jovens que moravam com os pais e não precisavámos nos preocupar com o dia-a-dia, apenas viviamos. Hoje em dia, nós temos que fazer as coisas absolutamente certas para continuarmos vivos. Eu acho que isso afeta mais as bandas nas formas de pensar.


[Renan]: Riistetyt é uma grande influência no Brasil desde 1982, e você sabe qual a razão desta fama?
[Nappi]: Bem, eu acho que o hardcore finlandês é muito mais nervoso e agressivo que em qualquer outro lugar. É claro que aqui na Finlândia existem muitas bandas bem ruins, porém vivem apenas 5 milhões de pessoas, e existem muitos punks por aqui. Nós temos sorte que nossas gravações estão sendo divulgadas em muitos lugares. Me desculpe, eu realmente não posso responder essa questão, apenas tentar.

[Renan]: Fale sobre o seu periodo na banda e sobre seus outros projetos, incluindo o Kuolleet Kukat e o Positive Negative, e seu amigo, Jakke.
[Nappi]: Eu encontrei o Jakke, pela primeira vez em 1982, quando ele me pediu para tocar bateria no Kaaos. Eu não consegui, e passei a tocar baixo. Nós fizemos o'Totaalinen Kaaos' ep e em 1983 entrei no Riistetyt. Quando eu sai do Riistetyt em 1984, nós formamos o KuolleetKukat. Nós fizemos um ep'Isoveli Valvoo' e um LP. Mas o LP nunca foi lançado, por que a gravadora faliu. Isto aconteceu em 1986. Kuolleet Kukat parou por um tempo. Nós tinhamos uma banda chamada Kiss me Deadly com o Jakke e era um tipo de música como KK(?), mas nós cantávamos em Inglês. Em 1993, a Fight Records lançou o 'Vallankumous' ep, com 4 músicas do lp de 1986. Nós começamos de novo a fazer show e novas músicas A formação era quase a mesma dos anos 80, apenas o guitarrista tinha ido para o Two Witches, e tivemos que arrumar outro. O Ep 'Kyynelkaasua' foi lançado em 1984 e o CD'kansanmurha' em 1995. Nós fizemos uma imensa turnê européia no mesmo ano, e no final do ano o Kuolleet Kukat acabou. O Positive Negative comçou em agosto de 1996. Lançamos 4 ep's, sendo um split com o Destetation. Em 1997, fizemos uma turnêpela Alemanha, e em 1999 a banda acabou. E em 2000, fizemos um show no Puntala Festival. Isto é tudo.


[Renan]: Guerras acontecem por todos os lados, tratados de paz são quebrados, o que você acha sobre a atual situação global e qual é a sua perspectiva para os próximos anos?
[Nappi]: Se você tivesse me perguntado isto alguns meses atrás, eu provavelmente teria respondido algo próximo ao que responderei agora. Mas eu acho que por causa de todos esses ataques das forças do terror acontecendo , e eles sofrendo retaliações,o futuro da humanidade tem muitas possibilidades de ser curto.O que aconteceu em Nova York, e o que está acontecendo no Afeganistão, remete para um círculo vicioso sem futuro. Sobre a protenção ambiental, eu cito uma de nossas músicas chamada 'Ristiinnaulittu Evoluutio', que fala sobre radioatividade em geral, seres humanos contaminados pela radioatividade, etc.

[Renan]: Quais são os planos da banda, próximos lançamentos e turnês? Alguns meses atrás você me falou sobre uma turnê na Alemanha... E quais são os planos sobre a turnê brasileira, estão esperando o quê?
[Nappi]: Nós acabamos de gravar o album novo. Ele será lançado no Brasil, em CD, antes da tour, para ajudar na divulgação. Ele sairá pela Usina de Sangue records/Terrötten Records no começo de novembro. Depois, ele sairá nos Estados Unidos pela Mind Control, e na Europa pela Fight Records. Nós chegaremos no Brazil em 29 de novembro, sendo o primeiro show em São Paulo no mesmo dia.
Nós estivemos em turnê na Alemanha na primavera, e devemos fazer outra turnê no próximo verão. Na próxima primavera, tentaremos lançar um novo ep.

Riistetyt@hotmail.com
http://www.riistetyt.com
Information for Brazilian tour: http://www.riistetytbrasil.cjb.net


BAD RELIGION voltar para menu

Os Bad Religion regressam com um novo álbum, "The Process of Belief", que não foge à linha traçada pelo grupo nos seus trabalhos anteriores. Como bónus extra; "The Process of Belief" traz Brett Gurewitz de volta às fileiras dos Bad Religion. Greg Graffin faz o ponto da situação e disserta sobre uma das grandes paixões do grupo: a História Natural.

Os Bad Religion começaram nos anos 80 e conseguiram sobreviver até agora. Diria que essa "durabilidade" do grupo se deve a serem uma espécie de família?

De facto, sermos como uma família é a razão que nos faz continuar juntos. Conhecemo-nos à metade das nossas vidas. A outra razão é porque a música punk continua a ser diversa e há cada vez mais pessoas que ouviram falar do punk que se tornou uma cena musical muito maior do que era e os Bad Religion parecem ter tido um papel preponderante nisso.

Brett Gurewitz está de volta. Até que ponto o seu regresso foi importante para a criação de "The Process Of Belief"?

Ele esteve afastado durante vários anos por problemas pessoais mas estou muito contente por ele estar de volta. Produzi o "The Process of Belief" a meias com o Brett, por isso, sem ele o disco não existiria. E eu já estava farto de escrever canções e produzir discos sózinho. (risos)

Álbum após álbum o som dos Bad Religion permanence quase inalterado. É deliberadamente que mantêm a vossa música rápida, directa e alta em vez de optarem por caminhos mais aventurosos?

Não sei. Julgo que, de certo modo, sempre fomos uma banda muito caracteristica. Não meço o sucesso pelas outras bandas e acho preferível fazer aquilo em que se é bom, mesmo que não seja muito diferente do que se fez antes.

Dentro dessa "igualdade" musical em que é que os Bad Religion mudaram?

O nosso modo de escrever canções tornou-se mais elaborado. As estruturas das musicas são mais intrincadas e o meu modo de cantar melhorou bastante. Consigo novas harmonias vocais e cada vez melhores arranjos nos coros.

Depois de terem estado na Sony Music regressaram à Epitaph. Acha que uma editora independente ainda faz a diferença?

Faz uma grande diferença. É-lhes muito mais fácil conhecer o mercado e saber como fazer uma banda vingar nesse mercado. Sentimo-nos bastante chegados à Epitaph pois, afinal, fundamos a editora para lançar o nosso primeiro álbum. (risos)

Os Bad Religion lidam com assuntos como sexismo, racismo, homofobia… Tudo coisas que parecem terem sido colocadas de fora da agenda da maioria dos grupos.

Sim. A maioria das bandas, e das pessoas em geral, parece ter colocado de lado todos os assuntos incómodos. Gostava de pensar que podemos ajudar as pessoas a olhar para lá do imediatismo e a concentrarem-se em problemas sérios.

O novo disco chama-se "The Process Of Belief", o que dá a ideia de ter que se ir construindo aquilo em que se acredita, que tem que se ir lutando por isso. Ainda tem os mesmos valores de quando era mais novo?

Julgo que parte do processo de acreditar nas coisas faz parte da nossa biologia, da nossa quimica essencial. Não, aquilo em que acredito foi mudando com o tempo. Essencialmente acredito que a humanidade pode traçar o seu futuro. Não acredito no determinismo simples e fatalista pois creio que as pessoas podem ter um efeito decisivo no resultado final.

E acha que estamos a chegar a algum lado?

Acho. Por pior que estejam as coisas prefiro viver agora do que na Idade Média e vejo isso como resultado do progresso.

O mundo da música gira à volta do dinheiro. Até que ponto o dinheiro pode subir à cabeça de uma pessoa e mudar o seu modo de ser? E a música pode mudar algo?

Boa pergunta. Não sei até que ponto o dinheiro pode afectar ou mudar o que se pensa. Mas provoca mudanças nas pessoas. Quanto à música já não tenho tanta certeza. Não sei se realmente pode mudar alguma coisa. Dúvido que a música, ao contrário do dinheiro, tenha um papel verdadeiramente importante nas mudanças politicas.

A indústria musical mudou os Bad Religion?

Não. A industria ainda não infectou a nossa banda. Sempre tivemos a banda porque gostamos de música e porque não queriamos ter um emprego das 9 às 5. (risos) E mantemo-nos contentes com a nossa música.

Juntamente com os restantes membros dos Bad Religion está empenhado na atribuição de fundos de pesquisa a estudantes...

Os fundos de pesquisa foram iniciados, uma vez que somos a "má religião", para incentivar o estudo de uma boa religião, ou seja o estudo do naturalismo e da história natural. Começaram a ser atribuidos há três anos e já conseguimos dar três distinções a três estudantes universitários que assim poderam continuar os seus estudos ligados à natureza. Estamos a promover aquilo de que sempre falamos ao promovermos outros.

De onde veio o interesse pelas ciências naturais?

Provalvelmente nasceu porque eu não tinha nenhuma religião quando era novo e as ciências naturais responderam às minhas grandes perguntas sobre a vida.

Que outras coisas podemos encontrar os Bad Religion a patriconar?

Neste momento mais nada. Mas os estudos sobre a natureza são uma das coisas que mais prezamos.

No vosso site há umá série de textos, "Fast Food", "Napster", "Punk Manifesto", "Punk Synopsis", "Responsible Voting", "Websurditie" escritos por si. Pode fazer um breve comentário a cada um deles?

"Fast Food": A comida rápida actualmente faz parte da nossa biologia e da nossa história natural. A maior parte das pessoas encontrou uma maneira rápida e nutritiva - ainda que seja dúvidoso quão nutriviva - de conseguir comida. Julgo que é um assunto que merece ser comentado pois há uma coisa com que somos obsecados: eficiência. A idade do computador é a da eficiência. Mas a eficiência não dita exactamente a qualidade de vida pois há coisas que necessitam de tempo. Mas não temos tempo a perder; "Napster": Seria extremamente útil se o Napster fornecesse uma lista com as canções mais escolhidas, de preferência por regiões, pois assim sabiamos o que as pessoas deste ou daquele lugar queriam ouvir. A única coisa que me desagrada no Napster é eles não darem nada de volta aos artistas. Mas essa partilha não tem que ser dinheiro, pode ser apenas informações como as que referi; "Punk Manifesto": Foi uma tentativa minha, que sou alguém que pensa muito, que é muito introspectivo, de perguntar o que era o punk pois é algo com que convivi durante metade da minha vida. Tentei ter encontrar alguns parâmetros, saber o que querem as pessoas dizer quando dizem "punk" mas ainda não encontrei a resposta. Mas vou continuar a tentar. (risos); "Punk Synopsis": É um pouco a estória dos tempos de adolescente. Do que era ser punk naquela altura. Na época não tinha nada que ver com moda mas era antes uma coisa que me fazia sentir que pertencia a um todo e que me permitia ser eu mesmo. A minha maneira de ver/ser punk continua a ser a mesma pois eu continuo igual a quando era jovem.; "Responsible voting": Considero importante as pessoas pessoas votarem. Se querem ter uma mudança e ser responsáveis devem votar. Infelizmente as pessoas tendem a não aprender nada, a não se darem ao trabalho de pensarem sobre elas próprias e aquilo que querem tornando tudo muito aborrecido. O que nos vai levar a uma sociedade de gente mal informada; "Websurdities": Foi uma secção que comecei para falar sobre as limitações da World Wide Web. A World Wide Web é um sítio divertido e onde se consegue muita informação mas não sei até que ponto pode ser usada para se protestar. Não é um local onde se pode protestar em pessoa.

Raquel Pinheiro(Mondo Bizarre # 10)

 

1 - Qual a opinião da banda em relação à novas bandas de punk rock que só tocam por motivos comerciais não se importando com as letras? Você acha que a ideologia punk pode ser mudada por essas bandas?

Graffin:Eu penso que uma banda não pode sobreviver se eles não ganharem um pouco de dinheiro. Porém, tem que se lembrar que ganhar dinheiro não poder levar prioridade em cima da mensagem que a banda defende. Punk depende da força, criatividade, enquanto enaltece as mensagens. Nenhum dinheiro pode criar a ética punk. Dinheiro não pode destruir a ética punk, se o punkers permanecerem focalizados em desafiar o dogma atualmente sustentado.

2 - O que você acha que aconteceu com bandas como Black Flag, Circle Jerks e outras "antigas" bandas como Bad Religion? Por quê e como o Bad Religion tem sobrevivido após o fim dos anos 80?

Graffin:Eu acho que as bandas de punk "mais velhas" perderam seu senso de comunidade e se sentiram abandonadas pela geração mais nova de punkers que estam mais interessadas em "ser legais", e menos interessadas em promover os ideais do punk.

3 - Após praticamente 20 anos de banda, de onde vem essa força e estímulo que continua a impulsionar a banda pra frente com a mesma ideologia, independente do cenário punk estar ou não mudando?

Graffin:Bem, nós também estamos evoluindo. Mas os ideais permanecem ainda intactos. A motivação em questão é algo que é profundamente emocional e vem de dentro. Todos necessitam ser ensinados a exercitar suas abilidades de questionar o dogma prevalescente, mas algumas pessoas podem ser mais determinadas do que outras, apenas devido a sua composição genética. Eu penso que eu tenho um daqueles tipos de constituição que me dirige para a frente, para tentar e fazer sentido no mundo, e compartilho com os outros que são dispostos a desafiar a autoridade do conhecimento institutional.

4 - Como está o cenário punk californiano hoje?

Graffin:Bem, de certa forma transformou-se em um cartão-postal do cenário punk mundial, em que a maioria das bandas viajam o mundo, então não é mais apenas a cena californiana.

5 - Como você se sente vindo para o Brasil duas vezes num ano?

Graffin:Agora está melhorando porque nós temos muitos amigos no Brasil, assim é agradável poder vê-los mais. Também, a base de fãs de Bad Religion está crescendo todo o tempo. Nós estamos muito entusiasmados com isso e esperamos que o Brasil possa se tornar o principal País do "Bad Religion" no mundo!

6 - O que é melhor no público brasileiro? (na sua opinião)

Graffin:Os públicos sempre são bons em participação. Quer dizer, eles amam cantar junto, e como nossas canções são feitas para ser cantadas, nós estamos lá nos sentindo muito recompensados.

7 - Em 1996 no festival Close Up Planets, muitas pessoas deixaram o festival assim que Bad Religion deixou o palco e uma banda popular "Sex Pistols" ainda não tinha tocado. Qual sua opinião sobre essa falta de credibilidade de uma banda famosa como Sex Pistols?

Graffin:Eles fizeram o que tantas outras bandas fizeram em todos os gêneros de música, eles esqueceram o que era bom sobre eles. Eles promoveram a moda do punk sem reconhecer o que era grande (bom) no seu primeiro álbum, as canções e sentimentos.

8 - Qual a melhor fase da banda? (músicas, álbuns, ...) O que mais marcou nesses 20 anos de Bad Religion?

Graffin:Eu estou contente com minha vida, portanto a fase atual é minha favorita… eu também tive uma rica experiência durante o tempo em que Brett estava comigo em tour e no estúdio. É bom o Brett e eu estarmos escrevendo canções juntos novamente porque é igual aos velhos tempos (nós escrevemos uma canção juntos para o álbum novo que estará saindo nesta primavera).

9 - Muitas pessoas pensam que punks são pessoas com cabelo verde, usam roupas rasgadas, e têm pensamentos anárquicos. Qual sua opinião sobre esse tipo de estereótipo?

Graffin:Eu menosprezo a idéia que punk tem qualquer coisa que ver com moda. Punk está no coração e na cabeça e não na cor ou estilo de roupas que vestimos todos os dias.

10 - Quais são as influências do Bad Religion hoje? Elas são ideológicas ou musicais?

Graffin:As duas.

11 - "Nenhuma música do Bad Religion pode fazer sua vida completa". Como você vê a possibilidade de suas músicas mudarem a vida e pensamentos das pessoas que escutam ao longo do mundo? O que pode fazer nossa vida completa?

Graffin:Eu nunca disse que Bad Religion não pode ajudar a realçar sua vida, eu apenas disse que há mais na vida que Inspiração e Motivação (duas coisas que as músicas do Bad Religion proporcionam), também existe uma ação e experiência que todos temos que fazer por si próprio


ENTREVISTA COM JOHNNY RAMONE - 29/07/95 voltar para menu
Especial para a Folha
O álbum "Adios Amigos" é a despedida dos Ramones. Depois de 21 anos de rock'n'roll, a banda resolveu parar.
O último show pode ser no Brasil, revelou o guitarrista Johnny Ramone, em entrevista por telefone à Folha, de sua casa em Nova York. A turnê de despedida vai durar um ano.
Uma das bandas mais influentes do rock, Ramones inventou o estilo punk, que finalmente faz sucesso, com o Green Day, 20 anos depois do clássico LP "Ramones".
Johnny conta o que fez a banda parar e compara sua geração com os punks dos anos 90.


Pergunta: Uma das músicas de "Adios Amigos" chama-se "I Don't Want to Grow Up" (eu não quero crescer). Terminar os Ramones é uma forma de fugir ao envelhecimento?
Johnny Ramone: É melhor terminar antes de ficar como os Rolling Stones. Eu olho para eles e não entendo porque continuam. São velhos que tentam imitar adolescentes, mas já esqueceram até como tocavam suas músicas.
Vai ser difícil parar. Está partindo meu coração. Mas vai chegar uma hora em que não vai dar para manter o pique. Não quero que os fãs pensem que os Ramones só eram bons nos velhos tempos.

Pergunta: Não é irônico que este seja o CD mais rápido, mais "jovem" dos Ramones na década?
Johnny Ramone: Concordo. É o álbum que eu mais gosto desde "Too Tough to Die" (1984).

Pergunta: Dentre os poucos parceiros que a banda teve, você sente falta de Johnny Thunders?
Johnny Ramone: Johnny Thunders (ex-Heartbreakers, que compôs "Chinese Rock" com os Ramones e morreu de overdose em 91) sempre teve problemas com drogas. Nunca foi fácil se comunicar com ele, porque vivia chapado.

Pergunta: No início, vocês também falavam em se drogar, como na canção "Now I Wanna Sniff Some Glue".
Johnny Ramone: Sim, mas isso era a nossa adolescência. A gente falava de coisas que vivia e não sobre causas. Não tínhamos uma causa.

Pergunta: O que passou na sua cabeça quando as bandas com quem você tocava no CBGB (clube da cena de 75) começaram a ser contratadas?
Johnny Ramone: Fomos a segunda banda com contrato, logo depois de Patti Smith. E em seguida embarcamos para uma turnê na Inglaterra, onde conhecemos o Clash e os Sex Pistols.
Vendo o punk rock surgir em outro país nos deu a impressão de que estávamos no meio de algo importante, de uma nova forma de música que ia causar impacto. Mas isso nunca aconteceu. Escreveu-se mais sobre punk do que discos foram vendidos. A não ser agora.
Agora, o punk rock é o sucesso que imaginávamos que podia ser.

Pergunta: O que fez o punk virar sucesso nos anos 90?
Johnny Ramone: Nirvana, sem dúvida. Eles inspiraram muitas bandas a voltar a tocar simples, o que é sempre bom para o rock.

Pergunta: Os Ramones foram inspirados em bandas de desenho animado. O que achou de participar nos "Simpsons" e no "talk show" animado do "Space Ghost" (programa do canal de TV a cabo Cartoon Network)?
Johnny Ramone: Achei engraçado. A gente acabou de gravar outro episódio do "Space Ghost", em que ele quis saber se tínhamos desenvolvido algum superpoder desde nosso último encontro.

ADEUS AMIGOS TRÁS A MARCA DE JOHNNY

Especial para a Folha
"Adios Amigos" é o melhor disco dos Ramones em dez anos, diz Johnny Ramone. É rápido, pesado, sujo, sim, punk. Johnny tem razão.
Um dos mitos do rock é que todos os discos do Ramones são iguais e bons por causa disso. Não, como prova a dificuldade de as músicas mais recentes permanecerem na lembrança dos fãs.
O novo álbum é moderno sem deixar de ser clássico. Significa: guitarras quase encobrindo a voz, bateria com som de garagem, a melodia assobiável que a banda sempre teve e o pique acelerado de moleques se divertindo.
O punk clássico é um formato bem aberto. A faixa mais "podre" do disco, "I Love You", parece Rolling Stones gravado em mono, em 64, com uma mixagem microfonada que ficaria bem no barulhento álbum "Psychocandy", do Jesus & Mary Chain.
Por outro lado, "The Crusher" e "I Got a Lot to Say" chegam a ser hardcore com o sotaque da última geração da gravadora Epitaph (Offspring, Pennywise, Rancid). Muito melhor que Green Day.
Outra influência recente é Nirvana. Não tem como ouvir "Scattergun" sem lembrar das guitarras e melodias de Kurt Cobain. E não só dele. "God Save the Queen", dos Sex Pistols, assombra o arranjo sônico.
Joey, claro, ainda está lá, cantando "oh-oh, yeah" pela 90ª vez. Mas o disco é de Johnny. Faça o teste em casa. Ponha a tocar sua coleção de Ramones. "Adios Amigos" tem as guitarras mais altas.
Não se diz adeus desse jeito, Johnny.


ENTREVISTA COM MARKY RAMONE voltar para menu
Em sua última passagem pelo Brasil Marky Ramone e os Intruders fizeram vários shows e deram entrevistas para várias revistas, programas de televisão e rádio, porém a que mais deu esperanças e ao mesmo tempo chocou os fãs do Ramones e conseqüentemente dos Intruders foi a entrevista que Marky deu para revista Rock Brigade n°159.
Abaixo esta o trecho da entrevista em que ele (Marky) revela o problema de Joey:Pergunta: Então, chegamos num ponto em que voce disse que o Joey precisa do trabalho, e em que Dee Dee quer voltar e em que Johnny esta disposto a retornar. Portanto, a reuniao triunfal do Ramones depende somente de você.Marky Ramone: Não, não mesmo! Não vou depositar todo esse peso nas minhas costas. Na verdade depende de todos nos, pois Johnny teria que desistir de sua aposentadoria...Pergunta: (Interrompendo) Pô, ele ja falou que quer voltar!Marky Ramone: Tá bom, tá bom. Vou ser honesto: o problema todo está na saude de Joey. E isso que esta segurando todos os acontecimentos de uma possivel volta da banda, e se quisermos que o Ramones volte ele tem que estar em boa forma.Pergunta: Nâo está na hora de alguém dizer o que ele tem de verdade, porque...Marky Ramone: (interrompendo) O JOEY TEM LEUCEMIA! Leucemia! Ou seja, câncer. No momento ele já está fazendo sessões de quimioterapia para tentar reverter o quadro, por isso, esta ainda mais cansado, fraco e debilitado do que normalmente. A quimioterapia ajuda no combate do câncer mas detona seu corpo de outras maneiras. Dizem que precisa pelo menos seis meses para que ele se recupere, mas nunca saberemos ao certo, pois essas coisas dependem do quão forte seu corpo é.
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O RAMONES
Pergunta: Quem foram todos os componentes da banda?
Joey Ramone:
Nome real Jeffrey Hyman. Nascido a 19 de Maio de 1952 em Forrest Hills, New York. Foi o fundador da banda e seu líder até hoje. Na primeira formação era o baterista mas logo depois assumiu os vocais.
Johnny Ramone:
Nome real John Cummings. Guitarrista da banda desde a sua formação.
Marky Ramone:
Nome real Mark Bell. Nascido a 15 de julho de 1956, no Brooklin. Baterista da banda desde o disco Road To Ruin. Anteriormente havia participado da banda Dust que apesar de não ter feito nenhum sucesso é considerada uma das fundações do punk e heavy metal. Tocou também com os Voivods e Ozzy Osbourne.
CJ Ramone:
Nome real Christopher Ward. Nascido em 1965 em Long Island. Baixista da banda a partir do disco Loco Live. Atualmente está alcançando um relativo sucesso com sua banda Los Gusanos.
Dee Dee Ramone:
Nome real Douglas Colvin. nascido a 18 de setembro de 1952 em Fort Lee, Virginia. Baixista da banda até o álbum Brain Drain. Após abandonar os Ramones iniciou uma má sucedida carreira como artista de rap, gravando o disco Standing in the Spotlight. Montou também o projeto punk rock ICLC gravando Chinese Dragons. Voltou a compor com os Ramones incluindo a música Crusher (gravada anteriormente como um rap) no disco Adios Amigos; participou ainda por telefone da música Born To Die In Berlin. Joey Ramones participa de seu último disco solo.
Tommy Ramone:
Nome real Thomas Erdely. Nascido a 29 de janeiro em Budapeste. Baterista fundador da banda ficou sendo apenas seu produtor a partir do disco Road To Ruin.
Richie Ramone:
Nome real Richard Beau. Baterista nos álbuns Too Tough To Die, Animal Boy e Halfway To Sanity. A principio não assumiu o nome Ramone sendo o primeiro a aparecer em um disco com seu nome original.
Ritchie Ramone:
Baixista original da banda. Não chegou a gravar nenhum disco sendo logo substituído por Dee Dee.
Além destes componentes oficiais participaram da banda Billy Rogers (baterista que gravou algumas faixas no disco Subterranean Jungle) e Clem Burke (baterista que tocou alguns shows na turnê do mesmo disco).
Pergunta: Qual o significado do nome da música "Cabbies on Crack"?
Ela foi escrita por Joey, baseada num fato real que ocorreu com ele ao tomar um táxi, onde o motorista estava drogado com crack, e quase causou uma tragédia com o carro.

Pergunta: De onde veio o nome Ramones?
O famoso Beatle Paul McCartney usava o pseudônimo Phill Ramone durante a primeira fase dos Beatles quando estes excursionavam pela Europa. A banda tomou emprestado dele o sobrenome.
Phill Ramone foi também um produtor de discos muito admirado por Joey Ramone.

Pergunta: Porque a música Carbona Not Glue não foi lançada oficialmente?
A música (que fala sobre garotos em uma fábrica de produtos tóxicos que ficavam cheirando um material volátil como se fosse cola) foi considerada de mau gosto e proibida nos Estados Unidos logo após ser lançada na primeira edição do disco Leave Home. Após a proibição, em todas as edições seguintes a música foi substituida por uma versão de Sheena Is a Punk Rocker gravada em um estúdio de rádio. A versão original do disco contendo a música Carbona Not Glue é bastante rara, tendo sido impressas apenas 50 mil cópias.
Mais tarde a música proibida foi gravada em uma versão americana do disco Loco Live. A faixa não consta do encarte, estando escondida após a faixa Pet Sematary.
Pergunta: Quais os significados de algumas letras?
Bonzo Goes To Bitburg:
Nesta música pela primeira vez os Ramones abordam um tema sério e polêmico. Trata-se também de uma das músicas de arranjo mais complexo e melhor produção. A letra critica o ex-presidente americano Ronald Reagan por ter visitado e prestado honras a uma sepultura de herois de guerra nazistas.
The KKK Took My Babe Away:
KKK é a sigla para Ku Klux Klan, entidade de extrema-direita, neo-nazista, nacionalista, racista e extremamente violenta que se espalha por vários estados americanos. Os membros em suas cerimônias costumam usar mantos brancos e cobrir as cabeças para preservar suas identidades.
Pergunta: Que bandas gravaram as versões originais do disco Acid Eaters?
Algumas das bandas originais são:
Journey To the Center Of The Mind
Gravada originalmente por Ted Nugent, vocalista e guitarrista da banda que leva seu nome.
Substitute
Gravada originalmente pelo The Who. Pete Twonshend, vocalista do The Who participa da faixa na versão dos Ramones.
Out Of Time
Gravada originalmente pelos Rolling Stones.
Somebody To Love
Gravada originalmente pela banda Jefferson Airplane.
My back Pages
Gravada originalmente por Bob Dylan.
Have You Ever Seen The Rain
Gravada originalmente pelo Creedence Clearwater Revival.
Surf City
Gravada originalmente pelos Beach Boys.


Fim impediu show dos Pistols no Rio em 78 voltar para menu
09/11/96
Autor: LÚCIO RIBEIRO
Copyright 1996 Empresa Folha da Manhã
O guitarrista Steve Jones, dos Sex Pistols, fala à Folha antes de vir ao Brasil para o Close Up Festival, no dia 29
Vinte anos depois de mudar a história da música, a banda punk Sex Pistols vem ao Brasil no final do mês para mudar a história dos megashows do país. O grupo inglês chega como a grande atração do festival Close Up Planet (dia 29 no Rio e 30 em SP), que será realizado nos moldes dos principais eventos do rock mundial, como o Reading Festival (Inglaterra), o Lollapalooza (EUA) ou o de Roskilde (Dinamarca). Dois palcos que abrigarão shows simultâneos, totens multimídia que conectarão o público à Internet e um shopping com lojas de roupa, CD, comida e games. Esse esquema, embalado ao som de bandas como Bad Religion, Silverchair, Cypress Hill e Spacehog, pode colocar o Brasil definitivamente na rota da música alternativa. Isso se os Pistols não estragarem tudo. "Acho um saco tocar em grandes festivais. Prefiro dar show em lugares menores, para um público que está ali especialmente para nos ver. Mas estamos sendo bem pagos, afinal", disse à Folha o lendário guitarrista Steve Jones, da banda que teve Sid Vicious e tem Johnny Rotten, Paul Cook e Glen Matlock. Em meio a shows no Japão, pela turnê assumidamente caça-níqueis "Filthy Lucre", Jones mostrou, durante a entrevista, que não tem muita coisa a dizer hoje em dia, assim como os Pistols não têm muito mais a dar ao rock. Mas, quando a banda entoar ao vivo, no Rio e em SP, os hinos "Holiday in the Sun", "God Save the Queen" e "Anarchy in the UK", isso não vai ter a menor importância.
Folha - Você veio ao Brasil no verão de 1978, com o baterista Paul Cook, época em que os Pistols já estavam no fim. Ficou alguma lembrança do país?
Steve Jones - Não muita. Lembro que foi divertido. Ficamos apenas alguns dias no Rio. Era Carnaval, tinha a praia. Deve estar tudo mudado hoje, não?
Folha - Vocês vieram para visitar o Ronald Biggs (Ronnie Biggs, o famoso assaltante do trem pagador inglês, que fugiu para o Brasil e vive desde 1970 no Rio)?
Jones - Tínhamos um show marcado para o Rio, mas a banda estava acabando e não rolou. Aproveitamos as passagens de avião e viemos visitar o Ronnie Biggs. Era um sonho nosso. Até compusemos uma música juntos (Biggs canta em "No One Is Innocent", do antológico álbum "The Great Rock'n'Roll Swindle", de 1979).
Folha - Vocês pretendem visitá-lo de novo?
Jones - Não, mas tenho certeza de que ele irá nos ver.
Folha - Aqui no Brasil vocês vão tocar em um festival com Silverchair, Bad Religion, Cypress Hill e Spacehog. É uma boa escolha de bandas, na sua opinião?
Jones - Acho um saco tocar em grandes festivais. Prefiro lugares menores, tocar para um público que esteja indo ver os Sex Pistols. Mas estamos sendo bem pagos.
Folha - Quais os planos dos Sex Pistols para depois da turnê "Filthy Lucre"? Vocês vão gravar algum disco com músicas inéditas?
Jones - Não. Quando a turnê acabar, os Sex Pistols não vai existir mais.
Folha - Como está sua banda fora dos Pistols, a "Neurotic Outsiders" - Jones, John Taylor (Duran Duran), Duff McKagan e Matt Sorum (ambos do Guns N'Roses)?
Jones - Meio parada. Estou ganhando mais dinheiro com os Pistols no momento. Lançamos um grande disco neste ano, mas não tenho tempo de divulgá-lo.
Folha - Quais as bandas que você ouve hoje em dia?
Jones - Gosto de grupos como o Stone Temple Pilots. Você conhece? Gosto também do Weezer.
Folha - Você cita só bandas norte-americanas. Como você vê atualmente a cena musical inglesa, o britpop?
Jones - Gosto muito do Oasis. É uma grande banda. Gosto também do Blur.
Folha - O que você acha do chamado "novo punk"? Na sua opinião, bandas como Offspring, Green Day e Rancid merecem carregar a bandeira do punk rock?
Jones - Não. Eles não são punks. São bandas pop. Não têm atitude. A atitude que eles mostram é cópia de bandas antigas, não é natural.
Folha - Por tudo o que a banda representou para o rock, você não se sente estranho em voltar para o palco agora, para tocar apenas velhas canções? Vocês ainda têm alguma coisa a passar para o rock ou são apenas uma espécie de Rolling Stones?
Jones - Não me sinto estranho. Não sinto nada. A única mensagem que temos para passar é a de que os Sex Pistols são a "coisa real". Somos a melhor banda punk... Esqueça o punk, isso não existe mais. Somos a melhor banda de rock de todos os tempos.
Folha - Então você concorda com o Johnny Rotten, que costuma dizer que os Sex Pistols são mais importante para a história da rock do que os Beatles?
Jones - Não. Ambos foram importante, mudaram os rumos da música cada um a seu jeito.
Folha - Joey Ramone disse que, embora goste da banda, a volta dos Sex Pistols é um acontecimento ridículo, absurdo. O que você tem a dizer sobre isso?
Jones - Joey Ramone é um idiota. A banda dele é "fucking" estúpida.
Folha - Você pode adiantar como vai ser o show no Brasil? Vocês têm mudado alguma coisa na turnê, desde o dia em que vocês começaram em Londres até agora?
Jones - Não. Vai ser a mesma merda de sempre. Mas, para vocês que nunca viram os Sex Pistols ao vivo no Brasil, não deixa de ser uma grande novidade.

Nostalgia e hipocrisia explicam o sucesso da turnê dos Pistols
26/08/96

Autor:MARCEL PLASSE
Copyright 1996 Empresa Folha da Manhã
O Brasil pode continuar sem temer terremotos. Nem Los Angeles tremeu. Os Sex Pistols, que tocam em São Paulo no dia 3 de dezembro, estão em fase de tempo bom. Depois de um tratamento de estrela de Hollywood, no seu primeiro show na Califórnia desde janeiro de 1978, quando a banda acabou, os Pistols decidiram abrir os camarins para mais adulação. Aos Pistols o que é dos Pistols. Fama, reverência, dinheiro. Até mulheres. Sim, o quarentão Steve Jones ainda faz pose de galã ao ser assediado por adolescentes. Paul Cook tem sempre o que dizer a músicos de bandas iniciantes. Mas poucas palavras para a imprensa. "Escreva o que quiser", chegou a responder à Folha, fugindo da entrevista. Glen Matlock não tem esse problema. Talvez por isso tenha sido expulso da banda, em 1977, e substituído pelo revoltado Sid Vicious. Sorridente, ele até posa para fotografias. É o oposto de John Lydon. O homem das respostas ácidas, Johnny Rotten, nem saiu de seu camarim. Muitos boatos, que todos aumentam, sobre problemas de relacionamento entre a estrela e os outros integrantes. Como a carreira individual de nenhum dos Pistols anda boa _a banda de Jones, Neurotic Outsiders, acaba de ser destroçada pela imprensa americana_, os Pistols continuam na estrada. Mas já circulam notícias sobre um disco solo de Lydon. A Folha falou com os Sex Pistols nos camarins do Universal Amphitheatre.
Folha - Você credita à nostalgia o sucesso da turnê?
Glen Matlock- Nostalgia do quê? De uma época em que não ouviam o que tocávamos, diziam que éramos ruins e que nossos shows eram uma droga? Acho que você pode chamar isso de nostalgia, romantismo ou hipocrisia.
Folha - O fato de o show ter som perfeito e ser bem tocado não é uma traição à história?
Matlock - Você achou que a gente ia tocar mal, não é? Todos esperam. Está certo que a gente ensaiou, se preparou, mas, pelo menos no meu tempo, sempre fizemos isso. Punks eram as aparelhagens de som que nos davam para tocar e o público bêbado e idiota.
Folha - A turnê está servindo para reescrever a história dos Pistols?
Matlock - Talvez. Pelo menos, as perguntas sobre Sid Vicious têm diminuído consideravelmente.
Folha - E sobre Malcolm McLaren?
Paul Cook - Quem é Malcom McLaren?
Folha - Já existem planos sobre o que vai acontecer depois do fim da turnê?
Steve Jones - Bem, a gente ainda tem que tocar na Austrália, no Japão e na América do Sul. Isso vai nos manter ocupados até 97. Tem muita coisa para acontecer. E, com esta banda, tudo costuma acontecer.
Folha - As casas cheias não fazem vocês considerar a gravação de músicas novas? Já pensaram em virar uma banda permanente?
Jones - Tentamos não pensar. Não temos nenhum plano, realmente.
Folha - Vocês imaginavam que tinham tantos fãs?
Jones - Sempre fomos odiados. O que é uma ironia, porque também sempre recebemos propostas indecentes para reformar os Pistols e fazer um show. Isso nunca fez sentido. Agora, faz. Sabemos bem quem nos odeia _nos odiavam antes e nos odeiam agora.
Folha - Por que voltar agora, após recusar tantas propostas?
Jones - Pergunte isso para John e espere a resposta.
Folha - The Clash vai voltar depois do sucesso de vocês?
Paul Cook - Não seria surpresa. Eles sempre nos seguiram, fazendo tudo o que fazíamos.
Folha - Vocês vão tocar no Brasil "No One Is Innocent" (que gravaram com Ronald Biggs no Rio)?
Paul Cook - Não.
Folha - Por que não tocaram "No Fun", que estava prevista, no bis em Los Angeles?
Glen Matlock - Porque não gostamos do público dessa noite.

Ex-tiete dos Sex Pistols diz que volta do grupo é 'prostituição'
25/04/96

Autor: THALES DE MENEZES
Copyright 1996 Empresa Folha da Manhã
Garota acompanhou em 1976 a primeira turnê do punk rock
Ex-tiete dos Sex Pistols diz que volta do grupo é 'prostituição'
Os Sex Pistols já estão ensaiando para a turnê de retorno do grupo, que começa daqui a dois meses.
Maior banda do explosivo movimento punk, o quarteto retoma a formação original da primeira turnê que fez, em 1976. No entanto, os Sex Pistols mudaram muito.
Quem diz é Vivian Albertine, 43, montadora de documentários na BBC. Ex-guitarrista do grupo punk de garotas The Slits, ela acompanhou os Pistols em seus shows e namorou o guitarrista Steve Jones.
''É absurdo pensar que esses senhores de 40 anos estão ensaiando aquelas canções. São as canções mais simples do mundo'', disse Albertine em entrevista exclusiva à Folha, por telefone, de Londres.
Longe dos palcos (''nunca toquei grande coisa''), ela relutou um pouco mas concordou em falar sobre seus tempos de ''groupie'' (a fã enlouquecida, chamada no Brasil de tiete).
Folha - O que você acha da volta dos Sex Pistols?
Vivian Albertine - Um lixo. Qual a razão? Dinheiro? Cara, tem certas coisas que não se faz por dinheiro. A volta dos Pistols é, certamente, um ato de prostituição.
Folha - John Lydon (líder dos Pistols) diz que volta pelo dinheiro e para mostrar aos garotos que só conhecem Green Day o que é o verdadeiro punk rock.
Albertine - E eles são o verdadeiro punk rock? Dá um tempo. Pelo menos o Green Day está vivendo o seu momento. Não é um bando de velhos xingando a monarquia. Ridículo.
Folha - Você viajava com os Pistols, certo?
Albertine - Sempre fui amiga deles, antes de o Malcolm McLaren (empresário dos Pistols) criar o grupo. Primeiro viajei como amiga, depois participei das turnês dos Pistols e do Clash com minha banda, as Slits.
Folha - McLaren criou realmente os Pistols? Lydon nega essa versão.
Albertine - Tudo foi obra do Malcolm. Absolutamente tudo. Os caras nem teriam formado a banda se ele não tivesse cuidado de tudo.
Folha - A rebeldia punk era falsa?
Albertine - Não. Éramos um bando de moleques querendo quebrar tudo mesmo. Malcolm só percebeu que era possível ganhar dinheiro com isso. Mas a revolta estava lá, era uma coisa epidérmica.
Folha - Como era a reação do público naqueles shows há 20 anos?
Albertine - Nos shows, tudo bem. Soltávamos nossa energia, nossa revolta dançando como loucos. Nossa platéia era formada por nossos amigos, gente de outras bandas. Nas ruas era diferente.
Folha - Cabelo moicano, pintado de verde, botas, calça com alfinetes... As pessoas deviam olhar para vocês com reprovação.
Albertine - Olhar? Eles batiam na gente. Tomei várias surras. Nos shows que os Pistols fizeram fora de Londres em 1976, o passatempo dos malditos beberrões daquelas cidades era socar a gente. Agora vai ser diferente. Os Sex Pistols vão excursionar de avião, dormir em hotéis de luxo e se divertir. Um grande bando de cínicos. Que sejam felizes.
Como repudiavam toda a pompa que envolvia os astros pop nos anos 70, os grupos punk gostavam de dizer que não recebiam favores sexuais das tietes, porque ''respeitavam as mulheres''. Vivian Albertine revelou à Folha que a coisa não era bem assim.
Folha - Como foi a primeira turnê dos Pistols?
Vivian Albertine - Uma grande bagunça. Chegávamos nos lugares e a maioria não passava de pulgueiros. Todos os promotores sumiam antes de pagar o grupo. E brigas. Brigas o tempo todo. Cansei de ser espancada por bêbados.
Folha - Com quem você namorou nessa época?
Albertine - Steve (Jones), o guitarrista dos Sex Pistols.
Folha - Como era o assédio das fãs da banda?
Albertine - Escute, eu sei o que você quer saber. Não vivíamos noites de orgia como as bandas de rock daquela época, mas rolava sexo, sempre. Cara, todo mundo ali tinha 20 anos. Você só quer saber de transar e pronto. Steve sumia, eu ficava com outros caras.
Folha - Joe Strummer, do Clash, diz que vocês eram grandes amigas e eram respeitadas.
Albertine - Joe namorava uma garota chamada Palmolive, que era a baterista das Slits, minha banda. Não sei bem o que ele quer dizer com ''respeito''.
Folha - Como foi a carreira das Slits? Por que vocês nunca estouraram e fizeram sucesso?
Albertine - Não tínhamos chance, cara. A gente tocava mal e estava sempre maluca. No meu primeiro show, Don Letts (fotógrafo e DJ) e Joe Strummer me deram um baseado enorme para fumar antes de entrar no palco. Era para relaxar. Relaxei tanto que tudo saiu uma merda.
Folha - Você ainda tem amizade com essas pessoas?
Albertine - Não. Não vejo ninguém. Mas acho isso natural. O que a gente poderia fazer hoje em dia? Sentar, beber bastante e lembrar dos anos 70? Tenho mais o que fazer. Sem chance.
Folha - Você aceitaria ser fotografada para esta reportagem?
Albertine - De jeito nenhum. Fujo de fotografias. Há 20 anos, eu ser uma mulher feiosa era opção punk. Hoje é apenas uma crueldade da natureza.

Sex Pistols tocam sem histeria no Brasil

Glen Matlock diz que o grupo vai simplesmente mostrar seu som nos shows dos dias 29 e 30

MARCEL PLASSE

Especial para o Estado

Os Sex Pistols estão chegando. Dias 29 e 30 de novembro, na Praça da Apoteose no Rio e no Sambódromo de São Paulo, eles finalmente tocam para o público brasileiro como atração principal do festival Close Up Planet. O festival, que teve o nome provisório de Big Bang, promete ser o principal evento de rock da temporada. Mas acaba de ter uma de suas principais atrações canceladas: Porno for Pyros, devido à inesperada descoberta de câncer no guitarrista do grupo. Foi substituído pelo grupo inglês Spacehog. As demais bandas são Cypress Hill, Bad Relligion, Marky and The Intruders e Silverchair.

A turnê de retorno dos Pistols, batizada de Filthy Lucre Tour,gerou um disco ao vivo e lotações máximas na maioria dos países por onde passou. O baixista Glen Matlock, membro fundador dos Pistols, falou ao Estado por telefone, do Japão.


Estado - Tocar para estádios cheios, com o público cantando junto, surpreendeu a banda?

Glen Matlock - Não na Inglaterra, onde a gente sempre foi popular, apesar da imprensa. Por outro lado, na América, nosso relacionamento com o público costumava ser agressivo. Mas a verdade é que é difícil lembrar como eram nossos shows em 1976, quando a gente tocava para 15 pessoas por noite. Agora, acho que poderíamos ter tocado por mais tempo em nossa turnê americana.

Estado - Você foi chutado da banda em março de 1977. Como está hoje o relacionamento com os outros Pistols?

Matlock - Não somos os melhores amigos do mundo, mas é uma boa relação profissional. Claro, tivemos algumas discussões, mas foram todas superadas. Não precisamos ser coleguinhas ou inimigos jurados, porque ninguém aqui tem 19 anos. Acho que o profissionalismo é o que faz as bandas funcionarem. É estranho pensar assim, mas nunca tivemos a chance de existir como uma banda de verdade antes.

Estado - Como você vê a acusação de os Pistols estarem traindo o ideal punk com a Filthy Lucre Tour?

Matlock - O que é punk? A primeira vez que vi essa palavra foi no (semanário musical) Melody Maker, e dizia respeito aos Pistols. Se você quer entender o que é punk, não procure em nenhum outro lugar que não seja nos Sex Pistols. A gente não criou regras de comportamento, mas dissemos, isto sim, para não ser igual à maioria. A maioria espera uma atitude da gente e fazemos exatamente o contrário. Sempre foi e sempre vai ser assim. Essa turnê é o oposto de tudo o que fizemos até hoje, porque sempre fizemos o que quisemos - os outros até me chutaram da banda! Outra coisa: da primeira vez, fizeram tanto barulho em cima da gente que a música acabou ficando em segundo plano, esquecida. Agora a gente pode, finalmente, mostrar nossa música sem a histeria sensacionalista. E é uma boa música, bem tocada e totalmente diferente do que diziam, não acha? Então, o que eles sabem?

Estado - Os Pistols eram o diabo nos anos 70. A que se deve a beatificação do grupo, a ponto de a mídia considerar uma blasfêmia os Pistols terem voltado e manchado seu passado de mártires punks?

Matlock - As pessoas tentam mesmo transformar os Sex Pistols numa religião, como algo sacrossanto e intocável. Há um preciosismo absurdo com esta banda, como se as pessoas tivessem formado o grupo e passado o que passamos. Todo mundo acha lindo os caras do Kiss voltarem a se maquiar em 1996. Mas, quando é a volta dos Sex Pistols, então é "Ooooh, horror!" É bom que digam que a gente se vendeu. Por sinal, é o que dizemos! Voltamos pelo dinheiro. Seu dinheiro! Porque nada, nada é sagrado.

Estado - E a nova geração punk? O que você acha de Green Day, Rancid, Offspring e todas essas bandas?

Matlock - Não me importo com as roupas. Acho legal você usar um moicano de meio metro na cabeça e ter de abaixar toda vez que entra num elevador ou metrô, até ficar corcunda. Mas onde está o conteúdo, meninos e meninas? Tudo bem, sua garota o abandonou, o mundo é cruel, mas não chame isso de punk! Green Day deve ser a maior banda teatral do mundo. Os caras fazem tantas caretas! O fato é que basta uma dessas bandas assinar um contrato e fazer três shows para o mundo inteiro ficar impressionado, porque virou um modismo. Quando começamos, todos nos odiavam. Não existia nada igual à gente, entende? Nós demos a esses caras um público, clubes e uma cena. É bom que, ao menos, eles nos citem como influência. Mas o fato é que fazíamos isso há 20 anos! Onde está a novidade? Eles deveriam procurar o seu próprio som, porque, desse modo, soam como imitações de segunda categoria. Você acha que se eu fosse escutar Little Red Rooster ia colocar a versão dos Rolling Stones? Ia era ouvir Willie Dixon.
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Jello Biafra voltar para menu

(retirado de: http://www.portaldorock.com.br/entrevistajellobiafra1.htm)

San Francisco/EUA - 13/12/2001
O Portal do Rock tem orgulho em apresentar esta entrevista exclusiva feita com Jello Biafra, eterno líder e vocalista do Dead Kennedys, uma das mais ativas e politicamente engajadas bandas de punk rock de todos os tempos. Jello Biafra não está mais na banda, devido a problemas com os outros integrantes, East Bay Ray (guitarra), DH Peligro (bateria) e Klaus Flouride (baixo).

O Dead Kennedys, sem Biafra, acaba de terminar sua primeira turnê pela América do Sul, com seis shows pelo Brasil, provando que o nome DK ainda está vivo e muito forte nas mentes dos amantes do punk rock!
Portal: Somos um site de rock brasileiro e estivemos entrevistando os outros integrantes do Dead Kennedys quando eles estiveram aqui na semana passada e também estivemos cobrindo um show da banda em São Paulo e ficamos realmente muito tristes porque você não pode estar aqui com a banda.
Biafra: Não quero estar com eles porque eles estão tentando acabar com a minha vida nestes últimos quatro anos.

Portal: Mas como você se sente sabendo que na primeira vez que o Dead Kennedys se apresenta no Brasil você não está na banda?
Biafra: Penso que estes caras são pessoas gananciosas e desonestas, que apenas estão tentando explorar o máximo de pessoas que puderem. Eles não se importam com a música e certamente não se importam com seus fãs. Perdi a conta de quantas vezes ouvi East Bay Ray dizer que "os fãs do DK comprariam qualquer coisa, quem se importa?".

Agora eles estão testando essa teoria. Recebi muitos e-mails da América do Sul, de pessoas que pensavam que eu estivesse indo com a banda. Eles estão contribuindo com nada, não tem nada a ver com o underground, mas o que estão fazendo tem a ver somente com os interesses deles. Desde que a banda acabou em 1986, eles jamais trabalharam com qualquer outra coisa e nunca trabalharam na Alternative Tentacles, eles apenas apareciam para receber seus cheques. Agora, de repente, eles pensam que podem roubar o nome da banda só porque eu fui processado por recusar ceder uma de nossas músicas para um comercial da Levi's. Agora são eles que estão me roubando nas vendagens dos discos. Eu não vou mais receber nenhum crédito agora.

Portal: Falando de Brandon Cruz, o novo vocalista recrutado pela banda, ele foi muito bem recebido pelo público aqui. Você o conhece?
Biafra: Não o conheço. Lembro de tê-lo visto na TV quando ele era apenas uma criança, estrela da TV de Hollywood. Apenas cruzei com ele em 1984 e nunca mais o vi. Para mim ele era apenas uma típica criança rica de Hollywood.

Portal: Você considera a hipótese de um dia você voltar com os outros integrantes da banda e o DK ser como era no início?
Biafra: Esta pergunta é um insulto! Não posso tocar com pessoas que me processaram e que tentaram destruir a Alternative Tentacles depois de 22 anos de trabalho árduo. Sempre paguei a grana deles, sempre paguei em dia. Meu próprio dinheiro está indisponível no selo.

Eles não se importam se vão ferir alguém, não estão nem aí para dezenas de outros artistas que estão tentando trabalhar. Nada é o bastante para eles, eles são muito gananciosos. Tenho que pagar milhões de dólares para eles pararem de me processar.

Portal: Semana passada entrevistando a banda, perguntamos se eles teriam alguma mensagem para você. Ray disse: "quando um amigo comete um erro, a coisa certa a fazer é pedir perdão e voltar como era antes". Como isso soa para você?
Biafra: Isto apenas prova que tipo de mentiroso e ganancioso o Ray é. A razão que eles alegam por terem me processado é que eu estava roubando dinheiro deles. Isso é uma mentira e eles sabem disso. Houve um erro na contabilidade e estávamos tentando nos reunir e analisar as contas para achar onde estava o erro. Mas o Ray ficava gritando e fazendo violentas acusações e um dia ele me ligou no estúdio, quando eu estava trabalhando em uma gravação e disse que eu tinha arruinado a vida dele, não assinando com uma grande gravadora.
Entretanto eu disse: "Tudo bem Ray, podemos ver o que aconteceu, você pode verificar se realmente houve algum erro nas contas". Mas em vez disso, assim que eu me recusei a ceder a música à Levi's, eles procuraram um advogado e me processaram. O verdadeiro motivo foi a Levi's. Ray não tinha interesse nenhum em verificar onde estava o erro nas contas. Mas eu encontrei o erro nas contas e os paguei mesmo antes deles me processarem.

Portal: Mas antes de todos destes problemas com as contas e com a Levi's vocês eram amigos, não eram? Haviam outros problemas desde que vocês terminaram em 1986?

Biafra: Quando eu olho para trás, não tenho certeza se Ray e eu fomos algum dia amigos. Ele pensava que eu era apenas seu marionete. Ele pensou que poderia fazer dinheiro com meu talento, com meu trabalho e com minhas músicas, para sempre. Ele sempre me enchia o saco dizendo que achava que eu deveria parar de fazer minhas turnês solo para fazer reuniões com ele, para ver como poderíamos ganhar mais dinheiro com o Dead Kennedys. Algumas pessoas me disseram que ele disse que merecia uma porcentagem pelas vendas de meu CD "Spoken Words", porque ele foi quem me inspirou a fazer o CD! Ele sempre fez todo tipo de jogo de interesse.
Todo o dinheiro do mundo não é o suficiente para ele. Ele queria ser um rockstar. Uma vez ele disse: "nós poderíamos ser e durar como o REM e o U2". Ele nunca parou para pensar que estas são bandas de pop music. Se eles realmente queriam uma banda que durasse, porque me expulsaram da banda? Acho que é porque eu jamais deixaria que eles compusessem suas músicas. Ray teve 15 anos de tempo desde que o DK acabou até agora, para formar sua banda pop e ele nunca fez isso. Nenhum destes caras teve algum dia interesse em trabalhar. Eles apenas querem viver do passado!

Portal: Alguma mensagem para os fãs do Brasil?
Biafra: A melhor maneira de manter o espírito do Dead Kennedys vivo é tirar a bunda do sofá e lutar contra a exploração da Amazônia, contra a introdução de alimentos transgênicos (modificados geneticamente), e transformar as mensagens de nossas músicas em AÇÕES!

A forma mais fácil de começar é parar de dar dinheiro para as grandes multinacionais, não compre em grandes cadeias de supermercados e lojas, não vá à grandes redes de restaurantes e não compre produtos fabricados pelas grandes corporações. Também gostaria de pedir aos fãs que evitassem qualquer CD do Dead Kennedys que seja vendido por outra gravadora senão a Alternative Tentacles. Não apenas os fãs estarão sendo sacaneados, mas eu também estarei sendo se isso acontecer. Outro toque para os fãs é que para mim punk tem a ver com mudança. Isso significa que uma banda não deve copiar outra e nenhuma banda deve viver do passado para sempre. Mesmo se um dia eu voltar a tocar no Brasil, talvez meu som não tenha nada a ver com o que fiz no passado. Para algumas pessoas o que faço pode ser muito experimental, mas para outras minha música pode ser o que elas estão esperando de mim. Nenhum dos meus discos soa igual a qualquer outro e tenho muito orgulho disso!
Ainda estou esperando aparecer alguma banda brasileira tocando um som punk hardcore misturado com trio elétrico. Isso seria mesmo o máximo! Outra coisa que queria dizer é que é muito duro para mim saber que o Dead Kennedys está agora reduzido a uma máquina de fazer dinheiro. Estes caras da banda não apenas ignoram as mensagens das músicas do DK, mas eles odeiam estas músicas! Eles realmente me processaram porque eu fiquei firme com os princípios da banda e eles queriam transformar o DK em algo pior que o Exploited ou Sex Pistols, quem sabe Blink-182!

Biafra falou também sobre a péssima qualidade do CD ao vivo lançado recentemente pela banda, chamado Mutinity on The Bay. Ele disse que logo na primeira faixa, "Police Truck", Ray erra feio e nitidamente. Ele gostaria de retirar seu nome deste disco. Biafra disse ainda que ficou sabendo que num show que este DK fez em San Francisco, Brandon Cruz não se lembrava das letras e Klaus Flouride ficava falando que eles tinham ensaiado apenas duas vezes em 15 anos! Ele disse também que recebeu um e-mail de Porto Alegre, de alguém dizendo que os preços dos ingressos para os shows do DK estavam absurdos e ele disse que isso é insano! O Portal do Rock gostaria de esclarecer que os preços dos ingressos variaram entre R$ 14 (Rio) e R$ 30 (São Paulo), ou seja, entre US$ 5 e US$ 12, o que é comparado a preços de shows de bandas de rock nacionais e está bem abaixo de preços de shows de outras bandas internacionais.

Para Biafra, essa banda é o verdadeiro "The Great Rock and Roll Swindle", ou a grande trapaça do rock and roll, fazendo uma alusão ao Sex Pistols.

Falando de outros assuntos, Biafra comentou que não está fácil fazer oposição ao presidente americano George Bush, agora que os EUA estão na guerra contra o terrorismo, mas ele acha que alguém tem que fazer. Ele também se mostrou preocupado com o fato de que as grandes empresas estão extraindo DNAs de plantas da Amazônia e transformando em propriedades privadas. Ele mencionou que na Índia essas empresas fizeram o mesmo com o arroz, que era cultivado pelos indianos há mais de 2 mil anos e agora os produtores têm que pagar direitos para as grandes empresas para plantarem certa variedade de arroz. Disse ainda que tudo isso é tão horrível como tem sido horrível sua vida por causa dos outros caras da banda. "Tenho orgulho das músicas do Dead Kennedys e eles dizem que eles é quem fizeram as músicas e que eu não fiz nenhuma, hahaha!.

Estes caras são as piores pessoas que conheci em toda a minha vida", completou Jello Biafra.


Dead Kennedys voltar para menu
04/12/2001 - São Paulo -SP

(retirado de: http://www.portaldorock.com.br/entrevistas.htm)

Mais uma vez provando que em matéria de rock é o mais completo, o Portal do Rock entrevistou a polêmica banda americana Dead Kennedys, que esteve fazendo shows pelo Brasil, marcando a primeira turnê sul-americana na carreira dessa banda, que já tem mais de 23 anos de estrada.

Nunca é demais lembrar que o DK fez seu primeiro show em julho de 1978, para uma platéia americana que já estava alucinada pelo som de bandas punks britânicas como Sex Pistols, The Clash e The Damned. Existia também naquela época uma forte presença dos Ramones (banda punk rock americana que mais se destacava) e toda a novidade de um "movimento" cultural e musical chamado punk, que se estabelecia nos Estados Unidos.
O DK cresceu e fez seu nome em meio a toda essa turbulência, fazendo mais do que ser apenas outra banda punk. O DK firmou-se como a mais importante e influente banda punk dos EUA, inclusive propiciando o nascimento do estilo rápido de tocar punk rock, que mais tarde viria a ser chamado de hardcore.

Mas, o resto da história quem conta são eles próprios, DH Peligro (baterista), East Bay Ray (guitarrista), Klaus Floride baixista) e Brandon Cruz (vocalista).

Portal: O que realmente significa o nome Dead Kennedys e quem escolheu este nome para a banda?
DH Peligro: Bom, eu não tocava com a banda logo no início, pois entrei no DK em 1981, mas pelo que sei os caras estavam num bar um dia destes à noite, em meados de 1978, e Jello Biafra (o vocalista original), com um amigo chamado John Greenway, chegou com este nome como sugestão e o nome foi logo aceito por todos. Dead Kennedys significa literalmente o que diz o nome, ou seja, os "Kennedys Mortos". Significa que conforme a família Kennedy perdia membros importantes, como o próprio presidente dos EUA, John Kennedy, que foi assassinado, e quando também Martin Luther King, líder e defensor dos direitos dos negros, foi assassinado, muitos sonhos de liberdade e justiça começavam a ser destruídos. Pois John Kennedy foi um avanço para os EUA e foi brutalmente assassinado dentro de seu próprio país. As pessoas tinham fé e acreditavam em John Kennedy e Martin Luther King e achavam que eles poderiam tornar a América uma nação mais justa. Quando eles morreram todos tomaram um grande baque. Então todo mundo só falava nas ruas: "Kennedy's dead, Kennedy's dead, Kennedy's dead...." (Kennedy está morto). Então a banda teve a idéia do nome, que marca o fim de uma era e o começo de um novo tempo nos EUA e no mundo.

Portal: O que fez com que vocês resolvessem formar uma banda? E que tipo de influências vocês tinham naquele tempo? Alguma banda inglesa por exemplo?
DH Peligro: Para mim foi mais um lance de querer fazer algo no ramo artístico do que entrar no chamado movimento punk e tal. A gente na verdade nem tinha muita noção dessa coisa toda de punk e ideologias. O Biafra sim era mais ligado nisso, pois tinha passado um tempo na Inglaterra. Não posso dizer que um dia a gente parou e disse: "Queremos ter uma banda como essa, ou aquela". Por isso não temos nenhuma influência de banda alguma, muito menos inglesa. Era um lance de ter a mente aberta e pronta para novas tendências e estilos musicais. Mas claro que algumas bandas faziam nossa cabeça naquela época como Devo, Ramones, Blondie, Television e aquela merda toda de Nova York.
Portal: Vocês são considerados pioneiros do hardcore no mundo. Vocês acreditam que música rápida pode alcançar o alvo mais facilmente?
DK: (risos!!!) Brandon Cruz: Boa pergunta! Mas música rápida nem sempre é sinônimo de boa música, você me entende? Às vezes você toca tão rápido que ninguém consegue entender o que você está tocando.

East Bay Ray: Eu discordo completamente com este pensamento da pergunta. Eu acredito que existe música rápida que é boa e música rápida que é ruim, como também existem música que não é rápida e é boa e que às vezes é ruim. O hardcore não tem nada a ver com música propriamente dita, mas dependendo da música, do sentido e do que ela passa, pode ser uma ótima música. Tanto a música como a letra podem conter diferentes formas de comunicação e de transmissão de mensagens. Às vezes a forma como você toca sua música, pode passar muito mais mensagens para as pessoas que ouve do que suas próprias letras. Isso é o que faz o hardcore, que passa uma atitude mais rápida e agressiva, para chamar a atenção para outras coisas mais importantes.

Portal: Como é o processo de composição das músicas da banda? O que vem primeiro, a música ou a letra?
Ray: Às vezes música, às vezes letra, depende da música. Muitas vezes estamos ensaiando e vamos tocando qualquer coisa e saem muitas música novas assim, depois encaixamos as letras. Mas muitas vezes chegamos com uma letra na cabeça e criamos uma música para ela.

Portal: Como foi com "Holliday in Cambodia" e "California Übber Alles"? O que foi feito primeiro?
Ray: Nessas fizemos primeiro as músicas.
Portal: Vocês ainda têm os mesmos pensamentos sobre questões políticas e sociais que tinham no começo da carreira ou agora isso não interessa mais?
Ray: Claro que interessa. Mas acho que agora estamos mais realistas. Quando você é jovem tudo é oito ou oitenta. Naqueles tempos a gente pensava que atirando palavras e muitas vezes objetos contra as pessoas, poderíamos mudar o mundo. Para conseguir alguma mudança política e social, é preciso que você faça uma mudança dentro de você, pois só assim você poderá ter um mundo diferente. Você tem que aprender a tratar as pessoas que estão a sua volta de uma maneira legal. Se você tratar bem e se preocupar com sua família, seus amigos, seu próximo, etc., a revolução acontecerá. Se você ficar esperando que a revolução aconteça como num passe de mágica, ela nunca vai acontecer. A verdadeira revolução começa dentro da gente.

Portal: Vocês pensam em um novo disco ou já compuseram novas músicas. Como está isso?
Ray: Muito cedo para falarmos nisso, só o futuro dirá. Não queremos especular sobre isso e nem falar sobre isso.

Portal: Vocês poderiam falar das bandas que estão tocando por aí hoje em dia? Vocês curtem algumas dessas bandas?
Ray: Tem o Glamour Pussies, de São Francisco (EUA), que é muito boa.
Brandon: In Control, de Oxnard (EUA), que é muito boa mesmo, também tem o Aggression. Essas são bandas que cresceram junto comigo, são da minha cidade e posso falar bem delas.
DH Peligro: Peligro é a melhor de todas!
DK: (Muitos risos!!!)

Portal: Essa é para o Brandon. Ficamos sabendo que sua banda, o Dr. Know, juntamente com outras bandas da Califórnia, criaram um novo estilo chamado "Nardcore". O que o Nardcore na verdade?
Brandon: (risos!!!) Nardcore foi nossa resposta para o hardcore. A minha banda e as outras bandas desse movimento são de uma cidade pequena chamada Oxnard, que fica uns 100 km ao norte de Los Angeles. Quando a gente toca em cidades grandes como Los Angeles, as pessoas nos chamam de os "Nard". No começo de 80, quando todo mundo só pensava em Hardcore, a gente pensou e decidiu: não vivemos em Los Angeles então somos Nardcore. As primeiras bandas deste movimento eram Dr. Know e Aggression. Depois dezenas de bandas aderiram a este movimento. Hoje para mim a melhor dessas bandas é a In Control. Eles são bons mesmo, vale a pena!
Portal: Como vocês sentiram a morte de Joey Ramone?
Ray: Fica até difícil de falar. É um assunto que até hoje não gostamos de lembrar e pelo menos a mim, me deixa sem palavras. (Ray ficou emocionado neste momento)
Brandon: Foi uma tragédia. Foi o mesmo que os fãs dos Beatles sentiram quando John Lennon morreu. Para o punk rock Joey Ramone tinha o mesmo significado. Perdemos uma lenda, que foi responsável pela origem de tudo isso que somos hoje e tudo o que se houve hoje em termos de punk rock e outros estilos de rock que surgiram depois. Eu conhecia Joey pessoalmente e posso dizer que perdi um ente querido.

DH Peligro: Por isso que acredito que sempre devemos fazer tudo o que quisermos fazer, pois de repente podemos adoecer e morrer, como aconteceu com Joey. Foi uma perda irreparável, mas que deixou um rastro de genialidade para sempre.

Ray: A gente que toca em banda considera músicos de outras bandas como parte da família, a família dos músicos. Veja agora com a morte de George Harrison, mesmo que eu ou você não sejamos fãs dos Beatles, temos que reconhecer a importância que eles tiveram para a música mundial e a falta que eles fazem para que coisas criativas e inovadoras possam nascer.

Portal: Todos sabemos que vocês e o Jello Biafa sempre foram amigos desde o começo da banda. Se vocês tivessem que mandar um recado para ele agora, qual seria?
Ray: (muito pensativo e reticente) Quando amigos cometem erros eles devem voltar atrás e se desculparem por seus erros. Quando eles não fazem isso, é porque a amizade acabou.

Portal: Mas vocês acham que dinheiro é mais importante que amizade?
Ray: Fim da entrevista!

Neste momento Ray se levantou e se transformou em uma outra pessoa, tratou-nos com certa frieza e disse que não deveríamos falar deste assunto.

Logo no começo da entrevista, o manager da banda, um cara muito indelicado e inexperiente, quis ver todas as nossas perguntas, antes de começarmos a entrevista e ficou em pé ao nosso lado o tempo todo só fiscalizando. Parece mesmo que estes integrantes do Dead Kennedys morrem de medo de falar alguma coisa errada ou quem sabe "falsa" sobre a história da banda e os motivos que ocasionaram o rompimento com Jello Biafra.

Ainda acredito muito naquele velho ditado: "quem não deve não teme!"



 

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